Comunidade Mumbuca

Fica no município de Mateiros, perto da rodovia TO-110 e a população – reconhecida como quilombola pela Fundação Palmares - é uma espécie de grande família que se originou de remanescentes de quilombolas e indígenas que habitavam a região. A base da economia local é o artesanato de capim dourado e a agricultura familiar, em que homens e mulheres têm papéis bem definidos: eles cuidam do cultivo das roças e as mulheres da colheita e da fabricação de farinha de mandioca. Uma vez por ano, geralmente em setembro, é realizada a festa da colheita do capim dourado com manifestações culturais, cantorias e rodas de conversa que têm o objetivo de manter as tradições.

Como chegar: por estrada de chão saindo de Mateiros.

 

Conheça um pouco mais sobre a fundação da Comunciade Mumbuca 

 

Guilhermina Pereira Matos, dona Miúda, nasceu em 1928, na região do Jalapão no leste do atual estado do Tocantins. Seus pais Silvério Ribeiro Matos e Laurina Pereira Matos vieram da Bahia no começo do século XX, em busca da “bandeira verde”, os gerais – terra com abundância de águas e pastagens naturais. Dona Miúda dizia que a sua avó e sua bisavó eram índias, “caboclas” pegas no laço para se casarem com negros baianos. A família de D. Miúda encontrou na região do Jalapão, a família dos Beatos, casando seus filhos entre si. 

É dessa origem que se formou o povoado do Mumbuca. Para dona Miúda a sobrevivência nessa região tão inóspita e isolada só foi possível graças à inteligência do seu povo, pequenos camponeses que viviam isolados em suas porções de terra e que produziam para a sua subsistência: faziam lavouras de arroz, feijão, mandioca. Plantavam cana. Criavam animais domésticos. Produziam seus próprios utensílios como louças de barro, peças em palha de buriti, confeccionavam seus tecidos no tear. 

É da inteligência de dona Laurina, segundo dona Miúda, que o povo do Mumbuca herda a confecção do capim dourado, quando esta descobriu que podia a partir daquele “capim” dá origem a objetos necessários a sua vida cotidiana. Dona Miúda aprendeu a arte da costura do capim dourado com a sua mãe, confeccionando utilitários como cestos e chapéus. Produziam para uso doméstico e só esporadicamente vendiam seus produtos, quando iam às cidades vizinhas como Formosa, na Bahia, Corrente no Piauí, Porto Nacional e Ponte Alta do Tocantins.

A criação do Estado do Tocantins em 1988 e as políticas públicas para a valorização da cultura local deram ao oficio da costura do capim dourado e a seus artesãos uma nova dimensão sócio-cultural. Dona Miúda foi uma das grandes parceiras do Estado nesse processo de valorização e afirmação do capim dourado como um dos mais fortes elementos de identificação cultural do estado do Tocantins. 

Dona Miúda exerceu um forte papel não só na transmissão do saber fazer o artesanato em capim dourado, dentro e fora da sua comunidade. Preocupava-se especialmente com a manutenção da produção do artesanato em capim dourado e o fomento de outros meios de subsistência, como a produção de doces e licores com frutos do cerrado que permitissem melhorar a renda da comunidade.